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A
indústria paulista de transformação fechou o mês de outubro
com queda de 0,13% nas contratações, com ajuste sazonal. O
resultado representa o fechamento de 10 mil postos de
trabalho, segundo pesquisa divulgada quinta-feira, 1) pelo
Centro e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp
e Fiesp).
Na
série dessazonalizada do índice, houve retração de 0,41% - o
pior resultado para o mês desde 2003 (-0,63%). Todos os
outros resultados de outubro foram positivos: 0,44% em 2004;
0,14% em 2005; 0,28% em 2006 e 0,41% em 2007.
Na
Diretoria Regional de Sertãozinho - que engloba sete
municípios - o número de vagas na indústria aumentou 0,51%
em outubro. O desempenho foi puxado pelos setores de
Metalurgia (3,88) e Máquinas e Equipamentos (1,89%). O saldo
não foi melhor devido à variação negativa nos segmentos de
Produtos Alimentares (-0,35%) e Indústrias Diversas
(-0,18%). O cenário é semelhante se comparado a outubro de
2007, que pontuou alta de 0,50% nas contratações. No
acumulado de 2008, a região lidera as contratações estaduais
com 29,74% mais vagas. Na soma dos últimos 12 meses, o
resultado é positivo em 9,52%.
“A
variação do emprego no mês não foi numericamente tão
importante. O que realmente importou foi a alteração de
padrão. Houve uma inflexão na curva de crescimento, e de
repente a tendência se alterou”, afirmou Paulo Francini,
diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos
Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp. Segundo ele, a
comparação dos últimos doze meses com o período
imediatamente anterior já indicou nova configuração e o
início de uma trajetória de queda para os próximos meses.
No acumulado do ano, a indústria de transformação em São
Paulo gerou 159 mil vagas, com variação de 7,28%. No
acumulado de 12 meses, que vinha no patamar de 4,5% até o
mês anterior, a expansão foi de 3,6%, o que representa 82
mil postos de trabalho criados.
O setor
de Açúcar e Álcool teve variação negativa de 0,01%, e foi
responsável pelo fechamento de 240 vagas em outubro. Já os
outros setores foram responsáveis pela queda de 0,40% no
índice e o encerramento de 9.760 vagas. “O desempenho de
outubro ainda não capturou a redução que vai existir no
setor sucroalcooleiro, que normalmente ocorre nos dois
últimos meses do ano. Houve uma antecipação do resultado
negativo neste ano”, informou Francini.
O emprego e a crise
Segundo
Paulo Francini, o resultado negativo do nível de emprego em
outubro – que não acontecia há cinco anos – é traduzido pela
perspectiva das empresas de produzir menos. “Muitos setores
têm dúvidas com relação aos próximos meses. A redução do
emprego não está ligada à redução efetiva da atividade
industrial, mas à expectativa sobre o desempenho futuro da
economia”, avaliou.
Para o
diretor do Depecon, a crise financeira mundial pode não ter
chegado tão forte no Brasil, mas a confiança da sociedade
foi afetada, daí a atitude de precaução que reflete na
atividade e na geração de empregos na indústria.
“O que
move a economia são as decisões de indivíduos carregados de
maior ou menor confiança. A percepção é de que o mundo está
em crise, e isso determina as ações dos empresários”,
explicou. “O crédito é baseado numa crença de futuro,
portanto, a atitude que temos visto é de cautela e receio do
que se vai encontrar pela frente”, complementou o diretor,
em uma referência à falta de liquidez dos bancos que atinge
o mercado brasileiro.
Francini ainda considerou que os meses de novembro e
dezembro serão piores nos índices, mas não devem afetar o
resultado de 2008, que foi a maior parte positivo. “Para
2009, evidentemente o nível será mais baixo do que neste
ano, mas não há base para fazer projeções sólidas enquanto o
novo patamar não se consolidar. A velocidade das mudanças é
muito grande”, avaliou.
Indicadores setoriais
Das 21
atividades industriais que compõem a amostra da pesquisa, 10
tiveram desempenho negativo, seis registraram estabilidade
nas contratações em setembro e cinco apresentaram desempenho
positivo. O principal destaque positivo foi o segmento de
Máquinas, Escritório e Equipamentos de Informática (1,00%).
Na seqüência, Equipamento de Instrumentação Médico
Hospitalares (0,39%) e Produtos de Metal – Exceto Máquinas e
Equipamentos (0,38%).
As
variações negativas mais expressivas vieram dos setores de
Couros e Artefatos de Couro, Artigos de Viagem e Calçados
(-4,09%), Móveis e Indústrias Diversas (-3,10%) e Confecções
de Artigos Vestuário (-1,07%).
Regiões
Das 36 Diretorias Regionais do Ciesp pesquisadas, 17
registraram bom desempenho no mês, 13 tiveram queda e seis
ficaram estáveis. Matão liderou as contratações, com
crescimento de 2,08% - influenciado por Metalúrgica
(10,17%), e Produtos Alimentares (3,38%).
Rio
Claro foi a segunda região em que o emprego mais cresceu em
outubro, com alta de 1,81%, puxada pelos setores de Minerais
não Metálicos (4,73%) e Produtos Alimentares (3,52%). Em
terceiro lugar, Botucatu, com expansão de 1,17% na geração
de empregos na Confecções e Artigos de Vestuário (6,55%), e
Material de Transporte (0,32%).
O nível
de emprego industrial teve queda mais expressiva nas regiões
de Franca (-2,71%), puxada pelos setores de Couro e Artigos
de Viagem (-10,61%), e Calçados (-2,82%); Jaú, com queda de
(-1,41%), afetada pelos setores de Couro e Artigos de
Viagem, (-4,17%) e Calçados (-3,44%), e São Carlos com
(-1,36%), influenciada por Máquinas e Equipamentos (-4,30%)
e Indústria Diversas (-1,85%). |